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Publicado em 30 de novembro de 2015

Os sete erros que podem arruinar seu gramado recém-implantado

Um gramado saudável implica em cuidados que iniciam no seu plantio.

por Rosalba da Matta Machado

shutterstock_299276297Foto: shutterstock

O desejo de todos que têm um gramado em casa é que ele esteja sempre verde e saudável, livre de pragas e doenças seja ele formado pelas gramas batatais (Paspalum notatum), esmeralda (Zoysia japonica), santo-agostinho (Stenotaphrum secundatum), bermudas (Cynodon dactylon) ou são-carlos (Axonopus compressus), espécies mais comuns no Brasil.

 

Para ajudá-los a atingir esse objetivo, listarei sete erros comuns que podem arruinar seu gramado recém-implantado. São eles:

 

NO PLANTIO:

1. ERRAR NO PREPARO DO SOLO:
O terreno que receberá a grama deverá ser limpo de restos de obra, concreto, pedras e entulhos. Se houver capim, deverá ser ponderada a necessidade de se utilizar um herbicida a fim de evitar reinfestações. O solo deverá também ser bem descompactado. Essa etapa é muito importante para o desenvolvimento radicular.

 

Caso seja necessário aterrar o local utilize terra não saibrosa, pois ocorreria a compactação do solo. Opte por uma terra argilo-arenosa, solta, livre de torrões, tocos e entulhos. E não pode estar molhada, que é quase impossível trabalhar com a terra assim!

 

2. ERRAR NA ADUBAÇÃO – DEFICIENTE OU EXCESSIVA:

A adubação no plantio deve ser criteriosa. Usa-se calcário e adubo químico composto de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), com maior quantidade de fósforo, devido à alta necessidade desse nutriente logo após o plantio, pois é o fósforo o responsável pela formação das raízes. Já o nitrogênio, justamente pela ausência de raízes áptas a absorverem este elemento químico, não é tão exigido nos primeiros 30 dias. O uso em excesso provoca a desidratação das raízes além da perda por lixiviação (ação da água lavando o solo e levando junto o nutriente).

 

É recomendável, portanto, uma formulação com 4% de nitrogênio, 14% de potássio e 8% de fósforo (conhecido popularmente como NKP 4-14-8). Para melhorar a microfauna do solo pode ser usado húmus de minhoca (desde que adquirido de um produtor que garanta usar apenas esterco de gado confinado). Caso contrário, as sementes de capim presentes no estrume bovino germinarão vigorosas no seu gramado! Para saber a quantidade exata dos insumos a serem empregados é recomendada a orientação de um engenheiro agrônomo. Orientação baseada na análise do solo;

 

3. ERRAR AO COBRIR O GRAMADO COM TERRA ARGILOSA
Muitas espécies de gramas são vendidas em rolos ou tapetes. Elas são cortadas por máquinas próprias nas fazendas de produção e chegam em perfeito estado para o consumidor usar. Basta colocar as placas bem juntinhas uma das outras que a terra desaparece e surge um belo carpete verde. Uma das grandes vantagens de adquirir a grama em tapetes é o fato de que, ao finalizar o seu plantio, a obra, antes suja de terra, fica limpa e com ar civilizado. Somente isso já seria um bom motivo para não usar terra vermelha sobre os tapetes de grama! Alguns plantadores, depois de tudo pronto, têm por hábito jogar terra sobre o gramado.

 

Não recomendo isso de maneira alguma, nem logo após o plantio, nem posteriormente. Além de não haver necessidade e “atrapalhar” o belo e limpo serviço realizado, a terra é o local propício para a germinação das inúmeras sementes de erva-daninhas que passeiam ao vento. Existe ainda o risco de compactação excessiva quando usa-se terra argilosa. Pode também atrapalhar o desenvolvimento da grama. A cobertura de gramado deve ser realizada para cobrir pequenas imperfeições de nível, de maneira gradativa e sempre utilizando areia lavada média. Nunca terra argilosa!

 

4. ERRAR NA IRRIGAÇÃO:

 

O estresse hídrico (ou falta d´água) logo nos primeiros dias após o plantio causa severa desidratação com consequente amarelecimento e perda de folhas, ressecamento das raízes e até mesmo morte das plantas. É importantíssimo que o gramado receba água diariamente pelo menos nos primeiros 30 dias após o plantio. Após esse período, fatores como região do país (clima, regime de chuvas), tipo de solo, uso do gramado e disponibilidade de água determinarão a frequência da rega. Recomendo novamente a orientação de um engenheiro agrônomo;

 

5. ERRAR POR NÃO COMBATER CUPINS:
O ataque de cupins às tenras raízes da grama acontece rapidamente na maioria dos locais onde ela é recém-plantada. Em pouco tempo provocam grande destruição. Ficar atento a esse inseto e combate-lo com rapidez evitará perdas e atraso no crescimento. Chame o engenheiro agrônomo!

 

6. ERRAR POR NĀO COMBATER AS ERVAS-DANINHAS:
Quanto mais tempo uma terra fique exposta, já preparada, sem cobertura vegetal, mais sementes germinarão. E mesmo com o plantio ocorrendo rapidamente, nascerão as famosas ervas-daninhas. São várias: capim braquiária, pé-de-galinha, tiririca, trevo, ambrosia-americana, picão, trapoeraba, mostarda, mastruço, agriãozinho, pavoa e mais um tanto… A manutenção de um gramado deve ter início logo após o plantio.

 

É mais fácil arrancar as pragas quando estão com as raízes bem fininhas. Quando crescem, ao arranca-las pela raiz, costuma levar junto tufos de grama, danificando o gramado. Para algumas existem herbicidas específicos. Mais uma vez o engenheiro agrônomo poderá ajudá-lo (a).

 

7. PISOTEAR O GRAMADO ANTES DO ENRAIZAMENTO:
A grama leva em média 30 dias para começar a enraizar. Sugiro aguardar pelo menos 60 dias antes de correr ou praticar esportes no gramado. Sem raízes suficientes, as placas escorregam e a terra afunda. Uma bagunça total!

 

*Rosalba da Matta Machado é formada em Engenharia Agronômica pela Universidade de Brasília e especialista em paisagismo – área que trabalha desde 2001, idealizando jardins para áreas residenciais, comerciais e governamentais.

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