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Coisas da Terra - Produção Rural
Publicado em 19 de outubro de 2015

Os efeitos da vibração na saúde do trabalhador

É preciso que as empresas meçam regularmente a vibração a fim de neutralizar ou minimizar os riscos no ambiente profissional

por Eduardo da Silva Lopes

vibraçãoFoto: Banco de Imagens Husqvarna

No último artigo, discutimos a respeito de um sério problema ambiental que afeta a saúde de milhões de pessoas e trabalhadores em todo o mundo, o ruído. Hoje, abordaremos outro problema, a vibração, encontrada em postos de trabalho, máquinas e equipamentos portáteis e que pode comprometer o desempenho, a segurança e a saúde do trabalhador.

 

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A vibração consiste em qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo, podendo ser regular ou irregular, transmitida por intermédio das partes do corpo que entram em contato direto com a fonte, geralmente as nádegas, as mãos, os braços e os pés. É definida por três variáveis: frequência, medida em hertz (Hz); intensidade do deslocamento, medida em cm ou mm ou aceleração máxima sofrida pelo corpo, medida em g (1g = 9,81 m x s-2); e direção, composta por três eixos ortogonais: x (das costas para frente), y (da direita para esquerda) e z (dos pés para a cabeça).

 

A vibração pode ser transmitida ao corpo inteiro ou a partes dele. A vibração de corpo inteiro (corpo total) é aquela transmitida inteiramente ao corpo do trabalhador, ocorrendo a partir dos pés (posição em pé) ou do assento (posição sentada), muito comum no trabalho realizado em plataformas, máquinas, tratores e veículos, com frequência variando de 0,5 a 80 Hz. Já a vibração de partes do corpo (manubraquiais) é aquela transmitida diretamente às mãos e braços do trabalhador por máquinas manuais vibrantes, como britadeiras, furadeiras de impacto etc., com frequência variando de 5 a 1.000 Hz.

 

O corpo humano reage às vibrações de diferentes maneiras. A exposição ocupacional continuada das vibrações pode causar efeitos diretos sobre o corpo, podendo ser destacados os seguintes problemas: perda do equilíbrio e falta de concentração, desordens gastrointestinais, aumento da frequência cardíaca, perda do controle muscular de partes do corpo, distúrbios visuais com visão turva, descalcificação de pequenas áreas dos ossos do corpo, lesões na coluna vertebral e degeneração gradativa do tecido muscular e nervoso. Além disso, uma doença muito comum e reconhecida resultante da exposição prolongada das mãos à vibração e a impactos repetidos é a síndrome dos dedos brancos ou doença de Raynaud, causada pelo espasmo das artérias digitais, que limita o fluxo sanguíneo nos dedos, sendo que, em casos extremos, pode causar danos permanentes ou gangrena.

 

A medição da vibração é baseada principalmente nas Normas ISO 2631-1 (1997) para corpo inteiro e ISO/DIS 5349-1 (2001) para mão e braço, as quais determinam os níveis de ação e os limites de exposição. É realizada por meio de instrumentos ligados a um transdutor de aceleração conhecido como acelerômetro, que capta o movimento vibratório, transformando-o em um sinal elétrico proporcional à aceleração. Os acelerômetros mais utilizados são os piezoelétricos, que medem a aceleração absoluta da vibração, tendo características gerais superiores em relação a qualquer outro tipo de transdutor de vibrações. Na vibração de corpo inteiro (VCI), o acelerômetro triaxial é montado em um adaptador de assento, posicionado no ponto de transmissão da superfície do corpo. Já na medição de vibração de mão e braço (VMB), o acelerômetro é montado na superfície vibrante, utilizando-se adaptadores adequados.

 

As medias ergonômicas a serem adotadas para a diminuição dos níveis de vibração deve ser feita ao nível de projeto das máquinas e equipamentos. Neste aspecto, destacam-se as tecnologias existentes em alguns produtos utilizados no manejo de áreas verdes, como o caso das motosserras, que possuem dispositivos (amortecedores) que interligam as diferentes partes da máquina, minimizando a vibração e os efeitos sobre o corpo humano. Existem, ainda, certos tipos de mecanismos que são mais favoráveis, como o uso de movimentos de rotação ao invés de translação e o uso de transmissões hidráulicas e pneumáticas em substituição a engrenagens.

 

Para manter os níveis de vibração dentro de limites toleráveis, ou mesmo quando no projeto não se conseguem níveis abaixo do recomendado, a diminuição da vibração pode ser conseguida por meio da eliminação da fonte vibratória com lubrificações e manutenções periódicas das máquinas; isolamento da fonte com afastamento do trabalhador; ou uso de material isolante. Um assento confortável também minimiza o problema. Por fim, se mesmo assim não se conseguir níveis aceitáveis, o trabalhador deve ser protegido com luvas antivibração e botas e, se o efeito for por longo período, devem ser programadas pausas para evitar a exposição contínua do trabalhador.

 

Portanto, como pode ser verificado, as vibrações ocupacionais são altamente prejudiciais à saúde do trabalhador, sendo, então, muito importante que as empresas que possuem máquinas e equipamentos portáteis que provocam vibrações possam realizar regularmente a medição da vibração. Com isso, poderão ser tomadas medidas preventivas para neutralizar ou minimizar os riscos no ambiente de trabalho, efetuar o pagamento da insalubridade de forma adequada e proteger a saúde do trabalhador.

 

* Eduardo da Silva Lopes é graduado em Engenharia Florestal pela Universidade de Viçosa, mestre e doutor em Ciência Florestal pela mesma universidade. Atualmente é como professor associado da Universidade Estadual do Centro-Oeste e Coordenador do Centro de Formação de Operadores Florestais (CENFOR). Atua na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Colheita e Transporte Florestal.

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