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Agronegócio
Publicado em 17 de dezembro de 2016

Agronegócio: mudanças climáticas afetam futuro

Como mudanças climáticas e fenômenos naturais podem mudar a estrutura das áreas de plantio e como adaptar-se a isso

O aumento do calor dos últimos anos e a instabilidade climática de 2015 – em função do fenômeno El Niño – trouxe prejuízos para a agricultura, setor econômico que depende diretamente do clima para determinar as suas safras. Em países como o Brasil, onde o agronegócio é um modelo econômico forte – atualmente cerca de 22% do PIB do País – alternativas precisam ser estudadas para amenizar esses efeitos. Estudos da Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) apontam que as principais culturas afetadas pelo aumento do calor nas regiões serão o feijão, a soja, o trigo e o milho.

 

Irrigação e prevenção de pragas como alternativa

 

Um dos principais problemas é certamente a mudança climática severa relacionada a períodos de chuva e calor – que tem a capacidade de arruinar uma safra inteira. E para enfrentar o calor, o indicado é fazer uso de sistemas de irrigação a fim de amenizar os problemas.

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Além disso, os fenômenos climáticos influenciam na perda de safra também de forma indireta pelo aparecimento de doenças, pragas e parasitas que são pautados e direcionados pelo ambiente. Por exemplo: um aumento desproporcional da umidade durante a estação de crescimento torna o ambiente propício para a produção de esporos. Já por outro lado, doenças como os oídios – classe de fungo que ataca as plantas deixando-as com aparência esbranquiçada – são favorecidas por condições de baixa umidade.

Além disso, é importante lembrar que mudanças climáticas podem afetar a geografia do local e consequentemente a composição viva de sua região. Doenças que requerem insetos ou outros vetores poderão apresentar uma nova distribuição geográfica ou temporal. Aumentos na temperatura ou incidência de secas poderão levar vetores, como insetos, para regiões onde ainda não atuavam, estendendo a área de ocorrência de doenças.

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Adaptações geográficas podem ser necessárias

 

Os efeitos do aquecimento global darão origem a um Brasil mais quente de norte a sul. Por isso, existe a tendência de que o cenário da produção agrícola brasileiro também mude nos próximos anos. Isso significa que ocorrerá uma diminuição, em termos de extensão territorial, da área favorável para plantio. Segundo estudos da Agritempo, grupo de pesquisa da Embrapa que monitora os efeitos do aquecimento global no país, estima-se que essa perda de área ocorrerá principalmente com as culturas do algodão, arroz, café, soja, feijão, girassol e milho. As áreas que hoje são as maiores produtoras de grãos podem não estar mais aptas ao plantio antes do final do século, ou seja, ocorrerá migração dessas culturas para regiões nas quais hoje não são cultivadas.

De acordo com os dados divulgados pela Agritempo em parceria com a Unicamp, a estimativa é de que a região Nordeste sofra com uma perda significativa na produção de milho, arroz, feijão e algodão. Já a região Sudeste se tornará desfavorável para o plantio de café, que migrará para a região Sul.

A soja será a cultura mais afetada com a mudança no clima, com uma queda de até 41% de áreas de baixo risco para o plantio do grão em todo país em 2070 – segundo levantamentos da Embrapa. Isso será decorrência do aumento da deficiência hídrica e de possíveis veranicos mais intensos, gerando prejuízos de bilhões de reais para quem não investir em um sistema forte de irrigação.

Cana e mandioca: as salvadoras do cenário

 

 

Porém, engana-se quem pensa que o Brasil, com sua vasta riqueza e diversidade de solo, irá se tornar infértil. Culturas como a cana-de-açúcar, por exemplo, por gostarem do calor, tenderão a se espalhar de forma a dobrar a área cultivada nos próximos anos. Além disso, áreas localizadas nas maiores latitudes, que hoje apresentam restrições para a cana pelo alto risco de geadas, perderão essa característica, principalmente no Rio Grande do Sul, e se transformarão em regiões de potencial produtivo. O aumento de temperatura e diminuição das geadas aumentará, ainda, a capacidade de produção da mandioca.

E não apenas o Sul sai ganhando. Sudeste e Centro-Oeste, que já apresentam um alto potencial produtivo, permanecerão como áreas de baixo risco. No entanto, assim como já acontece em muitos locais das regiões citadas, a dependência da irrigação como ferramenta complementar será cada dia mais importante para garantir a produtividade.

Fonte: Mundo Husqvarna

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